Inês Catry (adaptado por Luís Gordinho)
Identificação e Características
O Tentilhão-comum (Fringilla coelebs) é um passeriforme pertencente à família Fringillidae. Do tamanho aproximado de um Pardal-comum, tem o bico e a cabeça de menores dimensões e as asas e a cauda mais longas, tornando-o numa ave mais elegante.
Em ambos os sexos e em qualquer idade, o padrão da plumagem é realçado pelo branco dos ombros, das barras alares e rectrizes. Os machos são mais coloridos, com uma coroa azul-acinzentada, a face, peito e barriga de cor vermelho pálido e o manto escuro. As fêmeas e juvenis tem a cabeça e o manto de tons castanho-oliváceo e o ventre claro.
Distribuição e Abundância
É uma espécie parcialmente migradora, que se distribui por todo o Paleártico Ocidental. A população nidificante no Norte e Leste Europeu é migratória e a população da Europa Ocidental é residente.
Os efectivos populacionais do Tentilhão-comum parecem estar estáveis em toda a sua área de distribuição com um ligeiro crescimento em Inglaterra, Dinamarca, Espanha, Croácia e Ucrânia e um pequeno decréscimo registado na Finlândia e Lituânia.
Em Portugal, é um nidificante comum em todo o País embora os seus efectivos não sejam uniformes em todas as regiões, estando dependentes do habitat disponível. A análise de recaptura de aves anilhadas mostra que, durante o Inverno, se juntam à população sedentária migradores originários do Norte da Europa, existindo recapturas de aves originárias da Alemanha e Suécia, o que justifica a maior abundância desta espécie durante o Inverno no nosso País.

Estatuto de Conservação
No Livro Vermelho dos Vertebrados, o Tentilhão-comum, tem estatuto de espécie não ameaçada. Está, no entanto, inserido no Anexo III da Convenção de Berna.
Estatuto no PNN
O Tentilhão-comum é uma espécie abundante e amplamente distribuída no PNN. Pode ser observada durante todo o ano mas é mais numerosa no Inverno. Almeida e Geraldes (1999) estimaram a sua densidade primaveril em 3,30 aves/10ha e invernal em 4,45 aves/10ha, o que corresponde a um aumento da ordem dos 35%. A monitorização levada a cabo pela Erena (2004), em 2001 e 2004, revelou que, na Primavera, o Tentilhão-comum é uma das quatro espécies mais abundantes e mais amplamente distribuídas no Parque (a par do Trigueirão, do Melro e do Abelharuco).
No Inverno também está entre as quatro espécies mais abundantes no Parque, atrás da Petinha-dos-prados, do Pisco-de-peito-ruivo e do Pintassilgo (Almeida e Geraldes 1999). Localmente, o Tentilhão-comum mostra uma preferência clara por montados de azinho sem subcoberto arbustivo e o aumento na sua abundância primaveril registado entre 2001 e 2004 poderá ser reflexo das limpezas de matos promovidas pela EDIA.
Factores de Ameaça
A população desta espécie encontra-se estável na sua área de distribuição. É uma espécie bastante bem adaptada e que ocupa diversos tipos de habitats lidando, como tal, com poucos factores de ameaça ao seu efectivo. Prefere áreas florestais e agro-florestais, podendo a sua destruição maciça e desflorestação causar um decréscimo no seu efectivo populacional.
Habitat
Pode ser observado numa grande variedade de habitats florestais, agro-florestais e agrícolas, incluindo olivais, pinhais, pomares, vinhas, eucaliptais, matas rípicolas, terrenos lavrados, restolhos, pousios, etc.
Alimentação
Os tentilhões alimentam-se maioritariamente de sementes e outro tipo de material vegetal. Na época de reprodução, no entanto, procuram essencialmente pequenos invertebrados na vegetação arbórea. No Outono e Inverno procuram alimento no chão; são muitas vezes observados em grandes bandos, frequentemente com outras espécies de fringilídeos, em terrenos agrícolas abertos como restolhos, pousios e alqueives.
Reprodução
O início das posturas está fortemente relacionado com o aumento das temperaturas na Primavera, começando mais tarde de sudoeste para nordeste, na Europa.
Em Portugal, a maioria das posturas decorrem no mês de Abril. As posturas têm, em geral, 4-5 ovos (3-6) e a incubação prolonga-se por cerca de 12 dias. Após a eclosão, os progenitores alimentam as crias durante 2 semanas até estas se tornarem voadoras e abandonarem o ninho.
Os ninhos são construídos com musgo, líquenes, cascas de árvores e penas e localizam-se em árvores ou arbustos.

Movimentos
Os indivíduos provenientes da Península Escandinava invernam principalmente nas Ilhas Britânicas, enquanto que as aves provenientes da Rússia e Finlândia migram para o Sudoeste da Península Ibérica, concentrando-se fundamentalmente nas zonas costeiras e no Sul, por forma a evitar as regiões mais frias. As fêmeas chegam mais tarde às áreas de invernada e deslocam-se mais para Sul do que os machos, o que origina um padrão de ocorrência da razão entre sexos diferente entre o Norte e o Sul da Península. Alguns destes indivíduos migram mais para Sul atingindo o Norte de África. A migração desta espécie faz-se em grandes bandos, por vezes mistos com outras espécies e, em muitas áreas, são os migradores outonais visíveis mais numerosos.
Bibliografia
Almeida, J. e P. Geraldes (1999). Censo de Aves Nidificantes e Invernantes na Herdade da Coitadinha – Relatório Final (não publicado). EDIA, Beja.
Elias, G.L., L.M. Reino, T. Silva, R. Tomé e P. Geraldes (Coods.) (1998). Atlas das Aves Invernantes do Baixo Alentejo. Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, Lisboa.
Erena (2004). Monitorização da Biodiversidade na Herdade da Coitadinha - 1.º Relatório Anual (não publicado). EDIA/INTERREG III, Beja.
Snow, D.M. e C.M. Perrins (Eds.) (1998). The Birds of the Western Palearctic. Concise Edition; vol. 1 Non passerines. Oxford University Press

